Planilha de Controle Financeiro: Monte a Sua Passo a Passo

Pontos principais

  • Uma planilha de controle financeiro precisa de quatro partes: entradas, saídas fixas, saídas variáveis e o saldo do mês.
  • O Banco Central sugere montar o orçamento em quatro etapas: planejamento, registro, agrupamento e avaliação.
  • Com SOMA você chega ao total do mês e com SOMASE ao total de cada categoria, no Google Planilhas e no Excel.
  • Para o Banco Central, luz e água são despesas variáveis, porque mudam conforme o consumo.
  • No fechamento, o mês é superavitário se você gastou menos do que recebeu, neutro se gastou igual e deficitário se gastou mais.
Notebook com planilha desfocada na mesa da cozinha, ao lado do café

Uma planilha de controle financeiro precisa de quatro partes: as entradas do mês, as saídas fixas, as saídas variáveis e o saldo, que é o que entrou menos o que saiu. Com essas quatro partes preenchidas por 30 dias, você sabe para onde foi o seu dinheiro, e não só quanto sobrou.

A planilha é a ferramenta do primeiro passo do guia para economizar dinheiro todo mês: sem registro, não há o que cortar. Aqui está a montagem completa, no Google Planilhas ou no Excel: as colunas, as categorias, as fórmulas e o jeito de fechar o mês. É um modelo para montar do zero, em poucos minutos, e adaptar à sua casa.

O que uma planilha de controle financeiro precisa ter

Ela precisa separar o que entra do que sai e, dentro das saídas, o que é fixo do que muda todo mês. A divisão abaixo segue o Caderno de Educação Financeira: Gestão de Finanças Pessoais, do Banco Central, na edição revisada de 2026:

ParteO que entra nelaExemplos
Receitas fixasValores que não mudam ou mudam poucoSalário, aposentadoria, aluguel recebido
Receitas variáveisValores que mudam de um mês para outroComissões de venda, aulas particulares
Despesas fixasContas que não mudam ou mudam poucoAluguel, prestação de financiamento
Despesas variáveisContas que mudam conforme o usoLuz, água, mercado, lazer
SaldoReceitas menos despesasO que sobrou ou faltou no mês

Uma dúvida comum é onde pôr a conta de luz. Para o Banco Central, luz e água são despesas variáveis, porque o valor muda conforme o consumo. Na planilha, isso faz diferença: são contas que você consegue mexer de um mês para o outro.

Já as contas que se repetem com o mesmo valor, como aluguel, condomínio e prestações, formam a base do mês e são as primeiras a entrar na planilha. O que separa cada grupo, e como organizar as contas que não mudam, está no guia sobre despesas fixas e variáveis.

O Banco Central lembra mais dois tipos de gasto que costumam ficar de fora: os compromissos sazonais, como impostos, seguros e matrículas, e os compromissos já assumidos, como prestações a vencer, faturas do cartão e cheques pré-datados. A planilha precisa de um lugar para eles também.

Como montar a planilha em 7 passos

  1. Escolha onde fazer. Google Planilhas, no navegador ou no celular, ou Excel. As fórmulas deste guia funcionam nos dois.
  2. Crie três abas: "Lançamentos", para o dia a dia; "Contas do ano", para as sazonais; e uma cópia do mês anterior, quando houver, para comparar. Se preferir tudo numa aba só, use blocos separados.
  3. Monte as colunas da aba Lançamentos, nesta ordem: A (Data), B (Descrição), C (Categoria), D (Tipo), E (Valor) e F (Forma de pagamento).
  4. Defina de 8 a 10 categorias e escreva sempre do mesmo jeito, com os mesmos acentos. Um bom começo: moradia, alimentação, transporte, contas da casa, saúde, educação, lazer, dívidas e outros.
  5. Lance as receitas com o tipo "Entrada", na data em que o dinheiro cai.
  6. Lance as despesas fixas logo no começo do mês, com o valor previsto, e corrija quando a conta chegar. Para prever, use o mês anterior como base, como sugere o Banco Central na etapa de planejamento.
  7. Preencha a aba Contas do ano com IPTU, IPVA, Imposto de Renda, material escolar e presentes de fim de ano, cada um com o valor e o mês de vencimento. Numa terceira coluna, divida o valor pelos meses que faltam até a data: é quanto separar por mês para não ser pego de surpresa.

Com os passos feitos, a aba Lançamentos fica parecida com esta. Os valores são hipotéticos, só para mostrar o formato:

DataDescriçãoCategoriaTipoValor (R$)Forma de pagamento
05/11SalárioRendaEntrada2.800,00Conta
05/11AluguelMoradiaSaída900,00Pix
08/11Mercado da semanaAlimentaçãoSaída230,00Débito
10/11Conta de luzContas da casaSaída140,00Boleto
12/11FarmáciaSaúdeSaída45,00Crédito
15/11Lanche foraLazerSaída28,00Dinheiro

O agrupamento por categoria é a terceira etapa do método do Banco Central. Ele mostra qual parte da renda vai para cada grupo e aponta onde cabem ajustes.

Mãos com caneta sobre caderno quadriculado ao lado de uma calculadora Desenhar as colunas no papel ajuda a planejar a planilha - Fonte: Imagem gerada por IA (DALL·E / ChatGPT)

Fórmulas da planilha de gastos mensais: SOMA e SOMASE

Duas funções resolvem quase tudo: SOMA, para o total, e SOMASE, para o total de um critério, como uma categoria. Segundo a ajuda oficial do Google e da Microsoft, as duas têm esse nome em português no Google Planilhas e no Excel. Na sintaxe em português, os argumentos são separados por ponto e vírgula.

Monte um resumo num canto da aba Lançamentos, nas colunas H e I. Com os lançamentos nas linhas 2 a 200:

CélulaO que mostraFórmula
I1Total de entradas=SOMASE(D2:D200;"Entrada";E2:E200)
I2Total de saídas=SOMASE(D2:D200;"Saída";E2:E200)
I3Saldo do mês=I1-I2
I4Gasto com alimentação=SOMASE(C2:C200;"Alimentação";E2:E200)
I5Peso da alimentação na renda=I4/I1, com a célula formatada como porcentagem

Repita a linha I4 para cada categoria, trocando só o nome entre aspas. Deixe as fórmulas pegarem mais linhas do que você usa: as linhas vazias não atrapalham a soma.

Se preferir lançar as saídas com sinal de menos, o saldo sai direto com =SOMA(E2:E200). Os dois jeitos funcionam; escolha um e mantenha nos meses seguintes, senão a comparação entre os meses fica errada.

Um cuidado com o nome das categorias. Se uma linha diz "Alimentaçao", sem o acento, a SOMASE de "Alimentação" não soma aquele valor. Antes de fechar o mês, confira se o total das categorias bate com o total de saídas.

Como usar a planilha no dia a dia e fechar o mês

O Banco Central recomenda anotar todas as receitas e despesas, de preferência diariamente, para evitar esquecimentos. Cinco minutos por dia bastam. O caderno do BC também sugere conferir extratos e faturas do cartão, guardar notas fiscais e recibos e separar as formas de pagamento: dinheiro, débito ou crédito.

Três regras práticas para o lançamento não virar bagunça:

  • Compra no crédito: lance na data da compra, com a forma "Crédito". Filtrando essa coluna, você vê quanto da próxima fatura já está comprometido.
  • Parcelas: cada parcela entra no mês em que vai ser paga, e não tudo de uma vez.
  • Poupança: se você separa um valor ao receber o salário, lance como saída na categoria "Poupança". O Banco Central sugere pagar-se primeiro, antes das outras despesas.

No fim do mês vem a quarta etapa, a avaliação. Olhe a célula do saldo: o Banco Central chama de superavitário o orçamento em que as despesas ficam abaixo das receitas, de neutro quando são iguais e de deficitário quando passam. A meta básica, segundo o BC, é ficar no superavitário.

Depois do saldo, compare as categorias com as do mês anterior e procure a que mais cresceu. As perguntas do próprio caderno ajudam: você gastou o que planejou em cada grupo? Há assinaturas que você não usa? Os pequenos gastos, somados, pesaram? Dá para aumentar a renda? Quando o vilão são as compras pequenas e por impulso, o caminho para cortar gastos desnecessários começa por elas.

Com dois ou três meses de registro, você também passa a ter números reais para testar métodos de divisão da renda, como a regra 50 30 20, e ver se cabem na sua casa. Se a meta é guardar dinheiro, uma aba extra serve para acompanhar desafios de poupança, como o desafio das 52 semanas.

Casal sentado no sofá olha junto para um tablet à noite Fechar o mês a dois deixa as decisões mais fáceis de cumprir - Fonte: Imagem gerada por IA (DALL·E / ChatGPT)

Se a casa tem mais de uma renda, vale montar a planilha juntos. O Banco Central diz que a participação de cada pessoa da família é essencial na gestão do orçamento e que decidir em conjunto costuma dar melhores resultados do que impor limites.

Planilha, caderno ou aplicativo: qual usar

A melhor ferramenta é a que você vai usar todo dia. O Banco Central cita desde o papel e o lápis até planilhas, programas de computador e aplicativos, e recomenda a que deixa você mais à vontade. O caderno do BC acrescenta que não basta registrar: o mais importante é planejar e acompanhar o orçamento.

FerramentaA favorContra
CadernoNão depende de aparelho e é fácil de começarAs somas são à mão, e comparar meses dá trabalho
PlanilhaSoma sozinha, você escolhe as categorias e compara mesesExige montar a estrutura e lançar tudo
AplicativoLança na hora, pelo celularAs categorias prontas nem sempre servem, e alguns pedem acesso a dados bancários

Antes de dar acesso à sua conta a qualquer aplicativo, leia a política de privacidade e veja quais dados ele usa. Na planilha e no caderno, os dados ficam com você.

Erros que fazem a planilha ser abandonada

  • Categorias demais. Com 25 categorias, cada lançamento vira uma decisão. Comece com 8 a 10 e divida depois, se precisar.
  • Anotar só os gastos grandes. O Banco Central alerta que a soma de muitos gastos "pequenos" pode ser bem relevante.
  • Lançar tudo no fim do mês, de memória. Os gastos esquecidos são justamente os pequenos.
  • Esquecer as contas do ano. Para o BC, as despesas sazonais estão entre os principais motivos de o orçamento estourar.
  • Querer acertar tudo no primeiro mês. O primeiro mês serve para descobrir onde o dinheiro vai; o segundo, para ajustar.

Seu primeiro mês com a planilha de controle financeiro

Hoje, crie o arquivo, as seis colunas e o resumo com as fórmulas. Lance o salário, as contas fixas e as contas do ano que você já conhece. A partir de amanhã, reserve cinco minutos por dia para os lançamentos e, no último dia do mês, olhe o saldo e a categoria que mais pesou.

Se o mês fechar no vermelho, não desanime: o próprio Banco Central lembra que é normal ter dúvidas no começo. O segundo mês já começa com uma vantagem que o primeiro não tinha, que é saber para onde o dinheiro foi.

Perguntas frequentes

Como fazer uma planilha de gastos mensais simples?

Crie as colunas data, descrição, categoria, tipo (entrada ou saída), valor e forma de pagamento, e lance cada movimento do mês numa linha. Num canto da mesma aba, some as entradas e as saídas com SOMASE e calcule o saldo. Com 8 a 10 categorias, a planilha já mostra para onde vai o dinheiro.

Qual fórmula soma os gastos por categoria?

A função SOMASE, que tem esse nome no Google Planilhas e no Excel em português. Por exemplo, =SOMASE(C2:C200;"Alimentação";E2:E200) soma os valores da coluna E nas linhas em que a coluna C diz Alimentação.

É melhor usar planilha, caderno ou aplicativo?

O Banco Central lista do papel e lápis às planilhas e aos aplicativos e recomenda usar a ferramenta com que você se sente mais à vontade. A planilha soma sozinha e deixa você escolher as categorias; o caderno é mais simples de começar. O que conta é registrar todo dia e avaliar no fim do mês.

Quais categorias colocar na planilha de controle financeiro?

Comece com poucas: moradia, alimentação, transporte, contas da casa, saúde, educação, lazer, dívidas e outros. O Banco Central dá como exemplo alimentação, habitação, transporte e lazer, e diz que cada pessoa pode agrupar do jeito que fizer mais sentido para a própria realidade.

Como saber se o mês fechou no azul?

Subtraia o total das saídas do total das entradas. Saldo positivo é orçamento superavitário, saldo zero é neutro e saldo negativo é deficitário, na classificação do Banco Central. A meta básica, segundo o BC, é manter o orçamento superavitário.