Pontos principais
- Para economizar dinheiro, anote os gastos de um mês, separe fixas e variáveis, corte juros e desperdícios e separe a economia assim que receber.
- O Banco Central chama de superavitário o orçamento em que você gasta menos do que recebe; essa é a meta básica de quem quer guardar dinheiro.
- Juros do cheque especial têm teto de 8% ao mês, e no rotativo do cartão juros e encargos não podem passar do valor original da dívida.
- Despesas sazonais, como IPTU, IPVA e material escolar, estão entre os principais motivos de o orçamento estourar, segundo o Banco Central.
- Para o dinheiro economizado, o Banco Central orienta manter uma reserva para emergências, em investimento de alta liquidez e baixo risco.
Neste artigo

Para economizar dinheiro, faça nesta ordem: anote tudo o que você gasta por um mês, separe as despesas fixas das variáveis, corte primeiro os juros, depois os gastos que não fazem falta, e separe o valor da economia assim que o salário cair. Quem aprende como economizar dinheiro desse jeito para de depender da sobra do fim do mês, que quase nunca aparece.
Se você chega ao dia 20 sem saber para onde o salário foi, não está sozinho. O problema raramente é um gasto enorme. São vários pequenos, somados a juros que crescem sem barulho e a contas que aparecem "de surpresa" todo ano. Este guia de como economizar dinheiro organiza o caminho inteiro e aponta, em cada etapa, o guia do Digital Plane que aprofunda o assunto.
Como economizar dinheiro em 6 passos
Economizar dinheiro é fazer as despesas ficarem menores que a renda, todo mês, e guardar a diferença. O Banco Central, no Caderno de Educação Financeira (edição revisada de 2026), chama isso de orçamento superavitário e diz que essa é a meta básica de qualquer pessoa.
O caminho, em ordem:
- Anote tudo por um mês, inclusive o cafezinho e a taxa do aplicativo.
- Separe fixas, variáveis e sazonais, para enxergar o que dá para mexer.
- Saia dos juros: cheque especial e rotativo do cartão vêm antes de qualquer outro corte.
- Corte por categoria: mercado, contas da casa, assinaturas e transporte.
- Separe a economia no dia do pagamento, antes de pagar as outras contas.
- Dê um destino ao dinheiro: primeiro a reserva para emergências, depois as metas.
Cada passo tem uma seção abaixo. Se o seu caso é renda apertada, pule para a parte sobre como economizar dinheiro ganhando pouco e volte depois.
Primeiro o diagnóstico: um mês de anotações
Ninguém corta o que não enxerga, e por isso todo plano de como economizar dinheiro começa pelo registro. O Banco Central sugere montar o orçamento em quatro etapas: planejamento, registro, agrupamento e avaliação. Na prática, é anotar, de preferência todo dia, cada entrada e cada saída, e no fim do mês juntar tudo em grupos.
Os grupos podem ser os mais simples: moradia, alimentação, transporte, contas da casa, saúde, lazer e dívidas. O agrupamento mostra qual fatia da renda vai para cada área, e é aí que aparecem as surpresas. Num exemplo hipotético, um lanche de R$ 15,00 em 22 dias úteis soma R$ 330,00 no mês.
Para registrar, serve o que você vai usar de verdade: caderno, aplicativo do celular ou uma planilha de controle financeiro. O formato importa menos que a constância. Um registro feito por 30 dias seguidos vale mais que uma planilha perfeita abandonada na segunda semana.
Fixas, variáveis e as sazonais que ninguém lembra
Depois de anotar, separe os gastos em três tipos:
| Tipo | O que é | Exemplos |
|---|---|---|
| Fixas | Não mudam ou mudam pouco de um mês para outro | Aluguel, prestação, mensalidade escolar |
| Variáveis | Mudam conforme o uso ou o consumo | Conta de luz, conta de água, mercado, lazer |
| Sazonais | Aparecem em certas épocas do ano | IPTU, IPVA, material escolar, presentes de Natal |
A classificação de luz e água como variáveis é a do Banco Central: elas mudam conforme o consumo. A lista completa das contas que pesam todo mês, e como organizar cada uma, está no guia sobre despesas fixas e como controlar cada uma.
As sazonais merecem atenção especial. Segundo o Banco Central, um dos principais motivos de o orçamento estourar são os "imprevistos" que, na verdade, eram despesas esquecidas no planejamento. O começo do ano, com IPTU, IPVA e material escolar, é o exemplo clássico. A saída é simples: some essas contas do ano, divida por 12 e reserve essa parte todo mês.
Onde cortar: os gastos da casa, um por um
Com o diagnóstico em mãos, os cortes deixam de ser chute. Nesta parte de como economizar dinheiro, a ideia não é viver em privação, e sim parar de pagar por coisas que não fazem falta ou que custam mais do que deveriam.
Mercado e compras do mês
Alimentação é um gasto variável que aparece toda semana, por isso pequenas mudanças logo fazem diferença. O Banco Central lista atitudes simples no supermercado: fazer lista com os preços médios que você costuma pagar, ir alimentado (quem compra com fome compra mais por impulso), comparar preços e experimentar outras marcas.
O mercado também tem técnicas para segurar você mais tempo lá dentro, como produtos caros na altura dos olhos e guloseimas perto do caixa. As estratégias de prateleira, açougue e hortifrúti estão no guia de como economizar nas compras do supermercado.
Conta de luz e conta de água
Luz e água são despesas variáveis, então dependem do seu consumo, e cada ajuste aparece na conta seguinte. Banho mais curto, aparelhos fora da tomada, luz apagada em cômodo vazio e roupa lavada com a máquina cheia são hábitos que reduzem o consumo sem nenhum custo.
Antes de mudar a rotina, olhe as últimas contas e veja o consumo de cada mês, em quilowatt-hora na luz e em metros cúbicos na água. É a única forma de saber se a mudança fez diferença.
Luz e água mudam com o consumo e respondem rápido aos cortes - Fonte: Imagem gerada por IA (DALL·E / ChatGPT)
Assinaturas e pacotes
O Banco Central faz a pergunta certa no caderno de educação financeira: que benefício traz uma assinatura de streaming que você não assiste, ou um clube que você não frequenta? Vale o mesmo para o pacote de internet maior do que o seu uso, o plano de celular com dados que sobram e o aplicativo pago esquecido no cartão.
Faça um teste: liste tudo o que é cobrado automaticamente no cartão e na conta. Para cada item, pergunte se você usou no último mês. O que não passou no teste pode ser cancelado ou trocado por um plano menor.
Transporte
No transporte, a economia vem de comparar o que você usa com o que paga. Compare o custo do passe mensal com o das passagens avulsas que você realmente usa. Junte compras e tarefas numa saída só. Se tem carro, some combustível, estacionamento, seguro e manutenção do ano e divida por 12: o número costuma surpreender e ajuda a decidir trajetos.
Juros: o gasto que não compra nada
Quem pesquisa como economizar dinheiro costuma pensar primeiro no mercado. Só que os juros são o único gasto da lista que não deixa nada em troca, por isso saem antes de todos. Duas linhas de crédito pedem atenção especial, porque entram na conta quase sem você perceber:
- Cheque especial: os juros têm teto de 8% ao mês, pela Resolução CMN nº 4.765/2019, do Banco Central. Num exemplo hipotético, quem fica com R$ 500,00 no cheque especial por um mês inteiro pode pagar até R$ 40,00 só de juros, sem contar impostos.
- Rotativo do cartão de crédito: desde a Lei 14.690/2023, regulamentada pela Resolução CMN nº 5.112/2023, o total de juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não pode passar do valor original da dívida. Num exemplo hipotético, uma dívida de R$ 1.000,00 no rotativo pode chegar a R$ 2.000,00 somando juros e encargos.
Se você está em uma dessas linhas, a primeira economia do mês vai para sair dela. Trocar uma dívida cara por outra mais barata, com parcela que caiba no orçamento, também é economizar, desde que você pare de usar o limite.
Como economizar dinheiro ganhando pouco
Quem ganha pouco consegue economizar, mas com menos margem para erro: cada real cortado precisa ir para um destino definido. Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621,00, pelo Decreto nº 12.797/2025, e muita família vive com isso ou perto disso.
Nesse cenário, a ordem dos passos pesa mais. Primeiro sair dos juros, porque eles comem uma parte da renda que já é curta. Depois cortar o que não faz falta, com a lista de gastos na mão. Só então guardar, mesmo que seja pouco.
Um exemplo hipotético: separar R$ 50,00 por mês soma R$ 600,00 em um ano, sem contar rendimento. Não muda a vida de ninguém, mas cobre um conserto ou um remédio sem recorrer ao cheque especial. Há também desafios de poupança, como o desafio das 52 semanas, em que o valor guardado aumenta um pouco a cada semana. Eles funcionam como treino de constância.
O Banco Central lembra outra armadilha: a renda que cai sem que as despesas caiam junto. Perdeu o emprego ou parte da renda? Refaça o orçamento na mesma semana, antes que a diferença vire dívida. As estratégias para quem vive com um salário estão no guia de como viver com salário mínimo.
Marmitas da semana reduzem o gasto com comida fora - Fonte: Imagem gerada por IA (DALL·E / ChatGPT)
Como dividir o salário
Existem métodos prontos para dividir a renda, como a regra 50 30 20, que separa o salário em três blocos: o essencial, os desejos e a poupança. Eles ajudam como ponto de partida, mas nenhum percentual é oficial. A divisão precisa caber nas suas contas reais: quem paga aluguel alto numa cidade grande não vai seguir o mesmo modelo de quem mora em casa própria.
O teste é o do Banco Central: no fim do mês, o orçamento ficou superavitário, neutro ou deficitário? Se gastou mais do que recebeu, a divisão precisa mudar, e não a sua força de vontade.
Hábitos e compras por impulso
O Banco Central separa necessidade de desejo com um exemplo simples. Comer é necessidade; comer num restaurante caro é desejo. Desejos não são o problema. O problema começa quando eles passam a ser tratados como necessidades, porque os desejos não têm limite e o dinheiro tem.
O mesmo caderno chama de "marketing de sedução" as técnicas que despertam o lado emocional na hora da compra: "só hoje", "últimas unidades", "compre 1, leve 2", influenciador mostrando o produto. A defesa é ter o plano antes da vitrine, porque nenhum orçamento resiste a uma compra por impulso por semana. Três hábitos ajudam:
- Lista e valor antes de sair de casa, inclusive nas compras pela internet.
- Um dia de espera para qualquer item fora da lista.
- Preço total, e não o da parcela: dez parcelas de R$ 49,90 são R$ 499,00.
Quem quer ir mais fundo nos hábitos, como separar desejo de necessidade e rever o consumo do dia a dia, encontra o passo a passo no guia de como evitar gastos desnecessários.
O que fazer com o dinheiro economizado
Saber como economizar dinheiro é metade do caminho; a outra metade é dar destino ao que sobrou. O Banco Central recomenda "pagar-se primeiro": separar a parte da poupança assim que o salário cair, antes de pagar qualquer outra conta, e até autorizar o banco a fazer essa transferência automática todo mês.
Se o difícil para você é guardar dinheiro sem mexer nele, deixe a poupança numa conta separada da conta do dia a dia. Assim ela não se mistura com o dinheiro das compras.
Primeiro destino: a reserva para emergências
Imprevistos de verdade acontecem: um defeito no carro, uma geladeira que quebra, um problema de saúde na família. Para o Banco Central, manter uma reserva de emergência é um cuidado importante para não cair no endividamento. O caderno orienta guardar esse dinheiro em um investimento de alta liquidez e baixo risco, porque ele precisa estar disponível rápido e sem perdas.
O tamanho da reserva depende das suas despesas e da estabilidade da sua renda. O ponto de partida é saber quanto custa um mês da sua vida, e esse número sai do diagnóstico do começo deste guia.
Depois: metas com prazo
Com a reserva encaminhada, o dinheiro pode ir para metas de curto, médio e longo prazo: uma viagem, a troca do celular sem parcelar, a entrada de um imóvel, a aposentadoria. Escreva o valor e a data de cada meta. É mais fácil manter o corte do delivery quando você sabe para onde aquele dinheiro vai.
Um alerta do próprio Banco Central: alta liquidez, baixo risco e rentabilidade alta nunca andam juntas num investimento de verdade. Se alguém prometer as três coisas, desconfie.
Erros que fazem a economia sumir
Alguns tropeços se repetem em muitos orçamentos e anulam o esforço de quem aprendeu como economizar dinheiro. Confira se algum deles aparece no seu:
- Esperar sobrar no fim do mês. O Banco Central diz com todas as letras: poupar só no fim do período é pouco efetivo, porque o dinheiro vai sendo usado em despesas não planejadas.
- Cortar tudo de uma vez. Um corte radical é difícil de manter por meses. Corte o que não faz falta e mantenha o que dá sentido ao mês.
- Esquecer as contas do ano. IPTU, IPVA, matrícula e presentes não são surpresa. Divida por 12.
- Usar a reserva para desejos. A reserva existe para emergência. Uma promoção não é emergência.
- Fazer o orçamento sozinho numa casa de várias pessoas. O Banco Central orienta decidir em família e buscar limites juntos, em vez de impor limites a quem não participou da conversa.
Seu primeiro mês: por onde começar hoje
Você não precisa resolver tudo de uma vez. Para quem quer saber como economizar dinheiro a partir de hoje, o plano dos próximos 30 dias cabe em quatro tarefas:
- Hoje: comece a anotar cada gasto, do jeito que for mais fácil para você.
- Nesta semana: liste as assinaturas e as cobranças automáticas e cancele o que não usou.
- No dia do salário: separe um valor para guardar, mesmo pequeno, antes de pagar as outras contas.
- No fim do mês: agrupe os gastos, veja se o orçamento ficou no azul e escolha os dois próximos cortes.
Se houver dívida no cheque especial ou no rotativo, ela é a prioridade do mês. Antes de contratar qualquer crédito para trocar a dívida, compare o Custo Efetivo Total (CET) das propostas e confirme as condições com a instituição.
Perguntas frequentes
Qual o primeiro passo para economizar dinheiro?
O primeiro passo é saber para onde o dinheiro vai. Anote tudo o que entra e sai durante um mês, inclusive os gastos pequenos, e agrupe por categoria, como moradia, alimentação e transporte. Com esse retrato, fica claro onde dá para cortar.
Como economizar dinheiro ganhando pouco?
Quem ganha pouco tem menos margem para erro, então a ordem importa: primeiro sair dos juros do cheque especial e do rotativo, depois cortar o que não faz falta, e só então guardar. Valores pequenos e regulares contam, porque criam o hábito de separar dinheiro antes de gastar.
Quanto devo guardar por mês?
O Banco Central não fixa um percentual. A regra dele é gastar menos do que recebe e separar a diferença assim que o dinheiro cair na conta. Comece pelo valor que cabe no seu orçamento real e aumente quando cortar outros gastos.
Como parar de comprar por impulso?
Defina antes de sair de casa o que vai comprar e quanto vai gastar, com uma lista. Diante de um item fora da lista, espere um dia antes de decidir. Separar o que é necessidade do que é desejo, como orienta o Banco Central, ajuda a cortar a compra que não estava nos planos.
Onde guardar o dinheiro que economizei?
Para a reserva de emergência, o Banco Central orienta usar um investimento de alta liquidez e baixo risco, porque o dinheiro precisa estar disponível rápido e sem perdas. Desconfie de promessa de rendimento alto com risco baixo e resgate imediato: as três coisas não andam juntas.